1º Encontro Transfronteiriço de Engenharia

Bento Aires, Presidente da OERN, e Rafael Correia, Delegado da D.D. de Bragança, marcaram presença no I Encontro Transfronteiriço de Engenharia, no passado dia 4 de novembro, em Miranda do Douro.

Aproximar dois países vizinhos, um território singular, com claros desafios, necessidades, potencialidades e oportunidades comuns foi o principal objetivo do I Encontro Transfronteiriço de Engenharia.

Quarenta Engenheiros representa+ntes do Conselho Diretivo da OERN, da Delegação Distrital de Bragança, do Consejo de Ingenieros Induistriales de Castilla y León e do Colegio de Ingenieros de Caminos Canales y Puertos de Castilla y León reuniram-se para o primeiro debate de natureza transfronteiriça com a finalidade de criar e desenvolver soluções disruptivas, a curto e médio prazo, com vantagens para o território, para dois países e, sobretudo, para as pessoas que vivem e trabalham nesta região raiana.

Os participantes do Encontro, oriundos de Trás-os-Montes e Castela e Leão, debateram informalmente os principais desafios postos à região e à profissão. A falta de mão-de-obra especializada e não especializada num território cada vez mais envelhecido e despovoado são, indubitavelmente, os fatores mais limitativos ao crescimento, evolução e à sustentabilidade desta região.

Estes são, de facto, os maiores problemas que os territórios de baixa densidade enfrentam, com visíveis constrangimentos para a atividade do Engenheiro e para a prática da Engenharia, cujas soluções exigem uma efetiva mudança do paradigma conjuntural atual – que foca a maioria do investimento em territórios do litoral em detrimento das regiões do interior, agravando a atual capacidade de resposta e de execução de projetos estruturantes.

Neste sentido, o debate centrou-se na necessária definição de medidas urgentes e verdadeiramente eficazes que contrariem a atual tendência e deem resposta, por um lado, ao desafio demográfico e, por outro, ao futuro da região, com consequências promissoras para a Engenharia e para, sobretudo, os futuros Engenheiros que optem por ficar ou fixar-se no território.

Um território que, na visão dos participantes, é atrativo e tem potencial económico e competitivo se o foco do investimento incidir na valorização dos recursos endógenos, na criação e consolidação empresarial e industrial em áreas e projetos identitários e estratégicos para a região, alicerçados por um conjunto de infraestruturas que urge desenvolver (Ferrovia e Rodovia). A par destas medidas, um território só se desenvolve se tiver pessoas, sendo assim fundamental a aposta na captação de pessoas qualificadas com base e suporte na mobilidade e cooperação transfronteiriça, uma vantagem geográfica que poderá gerar dinamismo e coesão a este território.

Mas, para que tudo isto aconteça é preciso mudar não só a forma de pensar e de agir, mas também a de ver e atuar nos territórios (não) do interior, como referiu Helena Barril, Presidente do Município de Miranda, mas sim geograficamente centrais quando vistos a partir da Península Ibérica e Europa.

O futuro desta região transfronteiriça depende desta mudança, que se quer no imediato, no hoje e no agora. Uma mudança para a qual os Engenheiros podem assumir um papel fundamental, de uma forma cooperativa, sem fronteiras, unindo verdadeiramente esforços, no efetivo e eficaz desenvolvimento sustentável desta região. Isto porque, há futuro onde há Engenheiros. Assumindo os presentes a vontade unânime de debater em ambiente de Jornada Técnica ibérica de Engenharia, em 2024, estes desafios, mas, principalmente, encontrar soluções de apoio a uma estratégia transfronteiriça capaz de responder a longo prazo às necessidade e potencialidades da região.